Amor Eterno

19 abril 2010

Amada, eu nunca a vi em minha vida,
mas busquei-te sempre, por todos cantos,
com a alma rota, em redobrados prantos,
como a recobrar-se de outrora despedida.

Amada, e nem sei sequer quem és,
E tampouco buscava ou cria no amor,
Por tantos enganos d’alma e tanta dor,
e eis me aqui, com lagrimas a teus pés.

Amada, e já se foram tantas primaveras,
na saudade imensa dos tempos que não vivi,
ansiando sempre em sonhos reunir-me a ti,
e reviver o amor que vem de outras eras.

Amada, e em meus dias já pesa a idade,
mas tenho a fé em mim transformada,
que serás querida, por mim amada,
de novo e sempre, por toda eternidade.

I.N.
19 de abril de 2010

A chuva

6 abril 2010

 

Chove. Chove. Chove.

Há dias.

Chove. Chove. Chove.

Sem parar.

Chovem cães e gatos.

Fora. E dentro.

Chove. Chove. Chove.

Cães e gatos. Que mordem,

miam, latem e arranham.

Chove. Chove. Chove.

Chovem cães e gatos.

Eles passeiam, latindo e miando,

por incontáveis panelas pela casa.

Chove. Chove. Chove.

Chovem cães e gatos.

Brincam e pulam, nas rochas,

a brotar pelas paredes.

Chove. Chove. Chove.

Chovem cães e gatos.

Fazem esconde-esconde, em marrons ferrugem,

de lâmpadas que não acendem mais.

I.N.

06/04/2010

 

A partida

4 abril 2010

É hora de partir,

inevitável,

o momento trágico.

ir-se. separar-se,

mais ainda que o usual.

o menino olha, e,

como sempre,

não está mais alí.

na solidão doce,

em um mundo só seu.

ninguém o toca ali.

segurança.

à sua volta há pessoas.

conversam alto e riem.

enquanto ele parte,

não há o que se fazer.

a pequena vida lhe passa,

em cenas. cinema mudo.

e “atos” e “contos” se perdem,

em incontáveis frustrações.

o que fora, o que fizera,

o que desejara. se fundem.

na imensidão de um nada.

o cortejo, em algazarra surda,

segue com meu corpo,

naquele ônibus.

eu não estava lá,

mas em algum lugar,

protegido em meu mundo.

a inevitável partida,

se inicia agora.

o motor ronca, gases ecoam

por escapes.

Voltarei um dia? E,

se não voltar? Melhor,

quem sabe.

No raiar do dia,

o cortejo segue,

levando o menino.

Primeiro dia de escola.

I.N.

04/04/2010

E se eu me for?

3 abril 2010


e se eu me for?
o que de mim restará?

em lembranças e medos e sentimentos…

e se, realmente, eu me for?
o que de mim ficará?

a voz rouca e rude
voando aos ventos…

e se eu me for?
o que de ti trarei?

na tosca alma, gasta em dias

e se, realmente, eu me for?
longe de ti, que tanto amei?

romperia a eternidade
em mais que eternas agonias…

I.N.